quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Parerga e Paralipomena - Cap. XII (Contribuições à Doutrina do Sofrimento do Mundo), §153 - Schopenhauer

”Embora possua a mais do que os animais ainda os prazeres intelectuais, a permitem muitas graduações, da brincadeira mais ingênua, ou da conversação, até as realizações espirituais mais elevadas, em contrapartida, do lado dos sofrimentos, se situa o tédio, que o animal, ao menos em estado natural, não conhece, mas de que somente os animais mais inteligentes, em estado natural, não conhece, mas de que somente os animais inteligentes, em estado domesticado, sentem os mais leves traços; enquanto no homem se configura em verdadeiro algoz, como se vê particularmente naquela multidão lastimável dos que constantemente se preocupam somente em preencher seu bolso, mas nunca sua cabeça, e aos quais justamente sua abastança se transforma em castigo, ao entregá-los às mãos do tédio mortificante, para escapar do qual ora se apressam, ora se arrastam, ora se afastam de um lugar a outro, para agora, tão logo presentes, temerosamente se orientam quanto aos recursos do lugar, como faz o necessitado quanto aos possíveis meios de auxílio: poisseguramente a necessidade e o tédio formam os dois pólos da vida humana.” 

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